
Veja esse vídeo. Atente para os depoimentos de Pedro e Bia, duas crianças falando do universo digital, e de Ronaldo e Eliezer, dois motoboys explicando o impacto de ferramentas como celular e internet nas suas vidas.
São personagens pouco comuns nas dezenas de palestras, seminários e eventos sobre tecnologia e marketing que lotam a agenda anual de quem trabalha com comunicação. Nesse documentário, produzido pela consultoria de branding Limo Inc e pela agência iThink, eles se tornam interessantes não só por se tratar de uma presença incomum, mas também por terem vivências e pontos de vistas próprios, fora do universo dos “especialistas”.

Os motoboys revelam, só pra citar uma das falas, que muitos colegas hoje se interessam em estudar mais para aprender a escrever melhor pois querem usar o computador e as redes sociais com mais eficiência. Digitar um nome errado num GPS do celular, por exemplo, pode gerar confusão pra quem precisa circular por uma grande cidade. Ronaldo e Eliezer fazem parte de um projeto chamado Canal*Motoboy, que divulga conteúdo gerado por um grupo de motoboys de São Paulo através de câmeras de celular.
Já Pedro e Bia devem achar esse papo totalmente estranho. Mundo digital? O que é isso? Afinal, esse já é o mundo deles. Como diz Luli Radfahrer, que também aparece no vídeo, é como perguntar sobre o impacto da energia elétrica nas nossas vidas pra quem sempre viveu com ela. A gente tem que pensar muito pra saber como era viver sem uma lâmpada. Algo muito remoto pra maioria de nós que vê uma lamparina como peça de museu. Para os dois irmãos, a peça de museu da geração deles pode ser a máquina de escrever. É divertidíssimo ver os dois mostrando uma dessas máquinas, relíquia guardada pelo pai, que eles mal sabem como funciona. Vale a pena ver até o final para acompanhar essa cena que nos coloca em nosso devido lugar: somos de uma antiga era, que acabou. Por mais que estejamos antenados, reciclando conceitos, indo às tais palestras que pretendem prever um futuro próximo e nos preparar pra ele (na real, ele já começou), estamos apenas tentando nos adequar ao mundo de Pedro e Bia.

Sou um desses que lota a agenda com as palestras dessa gente especializada em falar sobre o impacto do mundo digital na nossa vida. Divido esses palestrantes em três tipos:
1) Jovens, de mais ou menos 20 anos, falando da experiência na sua própria start up, já familiarizados com os computadores, celulares, redes sociais, internet, apesar de terem presenciado a transição do analógico para o digital ainda cedo. A tal Geração Y.
2) Pessoas com seus 40 anos explicando como foi ou está sendo seu processo de adaptação a essa nova era. Acho que é a turma da chamada Geração X.
3) E por fim, aqueles executivos que já passaram dos 50 ou 60, tentando entender o que está acontecendo e sobreviver nesse mundo totalmente desconhecido.
Cada um mostra uma perspectiva própria do futuro e da sua relação com a tecnologia e os novos meios de comunicação sob um ponto de vista de “exploradores” de um mundo um tanto desconhecido, pra uns mais do que pra outros. Mas que são estrangeiros é fato.
Gostaria de ouvir mais a perspctiva de gente como Pedro e Bia, por serem nativos dessa era, e de pessoas como Ronaldo e Eliezer que mostram o impacto real e revolucionário do que na maioria das vezes tende a parecer apenas tese de quem vê tudo sob a perspectiva de salas de reunião e relatórios de pesquisas.
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