Marcas e arte: citações que não têm preço

Empresas pagam caro, muito caro, para ter suas marcas relacionadas a obras artísticas. O merchandising movimenta dólares à vontade e muitos setores da indústria cultural, bancando a produção de filmes, peças, programas de TV.

Há desde publicidade tosca a casos bem interessantes nessa relação, como o novo curta-metragem de Spike Jonze, I’m Here. Bem aceito pela crítica, o filme disponível on-line é totalmente patrocinado pela vodka Absolut, mesmo apresentando um conteúdo sem ligação direta com a bebida. É o simples vínculo com o bom produto que compensa o investimento.

Então imagine a felicidade que deve ser quando uma marca ganha espaço, assim, naturalmente, num produto cultural conceituado? É o que acontece no livro O Casamento, de Nelson Rodrigues, publicado em 1966. “O que Sabino não entendia era aquele esparadrapo branco, escandaloso. Por que não “band-aid” cor-de-carne? Antes de entrar, jogou fora outro cigarro que começara a fumar”.

Nelson Rodrigues

O dramaturgo poderia ter usado “curativo”, mas optou pelo nome específico do produto da Johnson & Johnson, que já acumula, pasmen!, 75 anos de criado. Tudo bem que existe o fato de o romance não ter nada de propagador dos bons costumes – aborda perversão e adultério, só para citar algumas temáticas. Então, talvez os empresários não tenham ficado muito felizes na época. Mas hoje, podem se gabar: o band-aid® está numa obra de Nelson Rodrigues e ponto.

No caso das sopas Campbell, não houve insatisfação quando Andy Warhol lançou a obra “Campbell’s Soup Cans”, em 1962. Não à toa, o gerente de marketing da fabricante mandou uma carta (vi no Update or Die) super elogiosa para o artista, agradecendo a abordagem das latas de sopa de tomate na obra de arte. Quem, como eu, já não quis experimentar? A carta era o mínimo que se podia fazer: essa publicidade não tem preço.

Carta sopas Campbell

Alguém dá mais exemplos de citações despretensiosas? Vale até Coca-Cola.

03

08 2010

Olé!

Pintura de Paul Junior Kasemwana para Adidas

Pintura de Paul Junior Kasemwana para Adidas

Minha tarde como campeã mundial por Espanha começou assim: primeiro as vestimentas à La Roja. Como o nome mesmo diz: de vermelho, com roupa “genérica” – leia-se não oficial (faltou grana mesmo: 70 euros uma camisa adidas). A pintura no rosto – como nas guerras tribais – depois muita cerveja e uma boa bandeira da Espanha e, “por supuesto” (claro!), bandeira também do Brasil ao lado, que uma amiga fazia questão de carregar. Sob um sol de 41 graus, vamos à Gran Vía buscar um lugar pra ver o jogo. A deusa de Cibeles, que dá nome à famosa praça de Madrid, palco da maioria das comemorações do Real Madrid, estava vestida de “España”, a bandeira dava um ar… vermelho ao sempre branco e frio do mármore. O barulho nas ruas já ensaiava o que estava por vir. Bom, nós, brasileiros, já passamos por isto pelo menos 5 vezes e eles, os espanhóis, passavam pela sua primeira final na Copa do Mundo de Futebol, esporte adorado pela maioria. Os diferentes sotaques na Gran Vía, grande avenida, belíssima, que está completando 100 anos, já demonstravam que entre os espanhóis havia uma grande gama de não espanhóis, turistas ou imigrantes, que se uníam ao sonho de vitória por, talvez, mera casualidade. O esporte tem dessas coisas, o dom de unir, de conseguir empatia até dos “rincones” mais longínquos. Num estádio de futebol ou diante de uma tela de televisão, torcendo por algum time, não há diferenças, somos todos torcedores, sejamos brasileiros, espanhóis, chilenos, argentinos e venezuelanos; juntos torcemos, e vamos à luta junto com os jogadores, seja em nome de um orgulho patriótico ou pela superação da crise econômica (Sim, pasmem! Os jornais daqui publicaram que seria um antídoto anti-crise, esta vitória!), etc.,etc. etc. De qualquer forma, a necessidade de vitória lembra os nossos mais primitivos instintos, aqueles que nos fazem lembrar de que é preciso, além de prover comida e segurança, ir à luta por nos impor junto ao clã, demonstrar superioridade e despertar medo ou inveja-admiração aos nossos adversários. O ringue mudou de cenário. Um simples estádio, um simples jogo com transmissão mundial move paixões em todos os locais do planeta e tem o dom de devolver todo um orgulho nacional-tribal há tempos perdido. Li certa vez um artigo no El País que dizia, entre outras coisas, “se tanto gostamos do futebol é pelo muito que se parece com a vida, ou melhor, às promessas de felicidade que a vida pode vislumbrar. Contemplar uma partida vitoriosa, presenciar a cena e desfrutar com os gols não é outra coisa que saborear nossos próprios dons submetidos à prova das incertezas e diversas circunstancias, que uma vez vencidas, parece que superamos todas as dificuldades. (…) Seu time veste a camisa da aventura e os resultados determinam sua felicidade ou tristeza, decepção ou esperança, porém, com uma vantagem incomparável: a viagem se reinicia a cada nova temporada e os marcadores zeram permitindo a todos uma segunda chance.” A Espanha teve hoje a sua grande chance, e encontrou nela uma “Gran Vía” para a vitória. A felicidade e gritaria tomou conta das ruas e avenidas e o nosso tão gostoso carnaval pareceu tomar as ruas de Madrid. Em alguns momentos me confundi – ¿seria o efeito do álcool? – onde eu estava mesmo?! Ah, em Madrid, celebrando a vitória da campeã mundial. Comemorei como uma verdadeira espanhola, mas, por outro lado, tenho no fundo o grande consolo de que os marcadores zeram e de que a próxima Copa será no Brasil! Eu também estarei lá!

11

07 2010

Não é o que parece

Alexandra Meade inaugura essa série do GPS mostrando pessoas inspiradas ou coisas que inspiram. Veja o trabalho dela e não se deixe levar pelas aparências. Essa pintura não foi feita numa tela convencional. Descubra como ela produz seus quadros, que vêm chamando a atenção do mundo das artes por aqui e por lá.

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30

06 2010

E Steve fez o iMac.

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A Wired mostra os 7 passos que fizeram a Apple ser a maior empresa tecnologia do mundo, destronando a Microsoft depois de anos. Obviamente que o iPod, iTunes, iPad foram ferramentas importantes nesse processo. Mas pra mim, mais surpreendente do que as inovações trazidas com esses produtos, que encantaram o mundo, foram as ideias mais simples do Steve Jobs. E as que aparentemente não fazem tanto sentido num universo tão tecnológico. O iMac, lançado em 98, é surpreendente por isso. Afinal, porque alguém que chega numa empresa à beira da falência decide produzir um computador cujo maior trunfo não é ser mais veloz ou ter mais memória, mas sim por ser colorido e transparente? Vendeu muito, salvou a empresa, popularizou a marca e gerou imitação em tudo que foi segmento: de impressora a isqueiro. Depois veio o resto. Esse produto pra mim mostra a genialidade do Jobs. O iPad é resultado da mente racional de um engenheiro. O iMac veio da mente intuitiva de um cara de marketing. Ele parece ser as duas coisas.

27

05 2010

I’m Here

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Coisas encantadoras podem acontecer quando uma marca opta por se promover investindo num produto cultural com vida própria. Coisas como o curta de 30 minutos I’m Here, escrito e dirigido pelo Spike Jonze de Onde Vivem os Monstros e patrocinado pela vodka Absolut. Além do naipe da assinatura, a trilha sonora é caprichada.

Spike Jonze\'s \"I\'m Here\" – Trailer

É a história de amor entre dois robôs que se descobrem em Los Angeles, na busca por um lugar no mundo. E só para constar, o curta não tem uma gota de álcool. O lançamento do trailer gerou buzz na internet e expectativa para o filme, que foi disponibilizado há alguns dias para ser assistido no site imheremovie.com. Vale a pena.

30

03 2010

Políticos Contra a Manipulação da Verdade. Sério?

siliconeHoje li no UOL que “A perfeição no setor de publicidade e propaganda pode estar com os dias contatos” pois a Câmara está analisando projeto do deputado Wladimir Costa (PMDB-PA) que propõe que seja obrigatória a informação ao público sobre manipulação de imagens de pessoas em peças publicitárias.

Segundo o artigo todas as peças publicitárias com imagens retocadas devem conter o alerta “Atenção: imagem retocada para alterar a aparência física da pessoa retratada.” Se descumprida a exigência, o responsável pela peça pode acabar pagando multa de até R$ 50 mil.

Segundo Wladimir Costa “Em tempos de photoshop, a manipulação de imagens faz com que a fotografia seja muitas vezes radicalmente diferente da realidade. Manchas na pele são apagadas, rugas são cobertas, quilos a mais são extirpados. É difícil a um leigo perceber que o resultado final não é uma imagem original”, afirma o deputado e que a busca do público por esse ideal de beleza, em que todos são magros, pode causar transtornos alimentares, como anorexia e bulimia, principalmente entre os mais jovens.
Não quero ignorar o impacto negativo da idealização da inatingível perfeição do corpo humano, mas se essa é a solução para o problema, será que deveríamos obrigar todo mundo que deu uma levantada no busto, a usar camiseta com o texto. – Atenção busto retocado com silicone para retomar meus gloriosos 17 anos – As clínicas deveriam ser obrigadas a colocar em todos os bumbuns trabalhados a tatuagem – esculpidos artificialmente – Os dentinhos que de tão polidos já estão azul deviam conter o alerta – ARTIFICIAL – e as clínicas de Botox seriam obrigadas a colocar setas permanentes nos rostinhos lindos – Atenção, contém produtos artificiais – Na lista de Crédito de todos os filmes e novelas, deveria ser mandatório colocar ao lado do nome de cada artista a relação de cirugias cosméticas feitas. E por aí segue …
Isso é non sense. O photoshop não é responsável pela formação do ideal de beleza. O ideal de beleza sempre esteve presente na vida das pessoas. Inconscientemente o ser humano senpre teve atração pelas formas perfeitas, harmonia de movimento e equilíbrio de linhas. Antes do Photoshop, era a fita tape, os espartilhos a maquiagem…
Acho que o senhor Wladmir devia deixar de lado o Photoshop e se dedicar a aprovar projeto de lei que obrigue prestar informação ao público sobre a manipulação da realidade feita pelos políticos para conquistar a simpatia dos eleitores. Certamente o impacto seria bem mais positivo para a felicidade das pessoas.

25

03 2010

Google España atenua polêmica

Absurda a inclusão da Espanha, pelo Google, na lista dos países que censuram a Rede, ao lado de China, Irã, Paquistão e outros. A declaração aconteceu há menos de uma semana pela sua vice-presidenGoogle españate Nicole Wong no Senado dos Estados Unidos. A empresa esclareceu que a origem da denúncia se deveu a uma decisão judicial em 2007 do Juzgado de lo Mercantil número 2 de Barcelona, que autorizou o bloqueio dos blogs Boicot-Ya.blogspot.com e HastalosHuevos.com.blogspot.com, que estavam ancorados ao Blogger, serviço gratuito do Google. A alegação do juiz era que tais blogs incitavam ao boicote a produtos catalães. Foi um caso absolutamente isolado e a equiparação da Espanha com esses outros países é no mínimo desproporcional. Acontece num momento em que se discute a possibilidade das operadoras cobrarem dos buscadores.
A imagem da Espanha fica arranhada junto a muitos grupos desinformados.

Apesar do que foi dito pela sua vice-presidente, Google España afirma, em carta ao Ministério da Indústria Espanhol, que a Internet é livre neste país. Mesmo indo de encontro ao que disse a Nicole Wong, a carta não faz menção direta ao que foi dito por ela, seguramente numa estratégia política. Segundo o elpaís, a carta vai assinada por Bárbara Navarro, European Senior Public Policy and Government Relations Counsel de Google España y Portugal. Além disso, o departamento de Estado do Governo norteamericano publicou seu informe anual sobre os Direitos Humanos que diz contundentemente que “não há restrições de acesso a Internet na Espanha”.

De qualquer forma, é difícil desfazer uma imagem quando ela já foi propagada mundialmente por pessoas do calibre da Nicole Wong. Lamentável, mas seguramente uma demonstração de poder num momento em que se discute na Europa sobre legalidade, censura e cobranças financeiras.

15

03 2010

Logorama

http://www.youtube.com/watch?v=0uRJlbZO8OI

Logorama

Enquanto São Paulo bane os outdoors e big signs das ruas (pelo menos é o que eu escuto por aqui), o Oscar premia e transforma em culto a profusão de logos e impressões comerciais.
Logorama,escrito e dirigindo por H5’s Francois Alaux, Herve de Crecy and Ludovic Houplain premiado esse ano pela academia como melhor curta de animação  tem como os personagens principais a Garota da Esso, um sinistro Ronald McDonald e outros ícones num total de 2.500 logos.
A pergunta é até que ponto a criação e exposição de logos em uma cidade pode ser considerada cultura de uma sociedade e qual o limite entre produção cultural e poluição visual?

13

03 2010

Print Power

magazines

A campanha lançada pela Young Rubican para aquecer a venda de anúncios em revistas tem como assinatura a palavra Magazines escrita com letras de 8 revistas diferentes. Você sabe identificar cada uma delas?

10

03 2010

Se você não esta orgulhoso do que fez, não sirva.

your_logoDesde que comecei a trabalhar em propaganda escuto essa conversa de respeito pelo trabalho criativo das agências. Essa semana, pela primeira vez, experimentei isso do outro lado da mesa. Ontem recebi uma agência aqui de Vancouver que andava prospectando a empresa onde trabalho. Apesar de não estar procurando por nenhuma agência acabei atendendo o pessoal para não ser rude. Pois bem, os dois atendimentos passaram pela conversinha curta e entraram no portfólio. Durante a apresentação colocaram que a política da agência era apresentar 3 idéias para cada projeto. Para exemplificar,  mostraram o desenvolvimento de uma marca, com as tais 3 idéias. Aí mesmo eu já me perguntei, porque um idiota de um cliente paga a criação, produção e apresentação de 3 idéias completamente diferentes para cada projeto quando na verdade ele precisa de apenas uma solução: a melhor. Entendo que para chegar a melhor solução a gente tenha que pensar em vários caminhos diferentes, não 3, mas 10, 15, 20… Mas de pensar em varias estratégias a gastar energia, tempo e dinheiro em produzir varias soluções para impressionar o cliente há uma grande diferença.

Logo em seguida a coisa ficou ainda pior, os infelizes me mostraram uma quarta marca resultado da combinação das 3 primeiras. Boquiaberto perguntei: O que e isso? Muito orgulhoso, o rapazinho respondeu: Essa foi a marca final. Uma combinação das 3 idéias iniciais. O cliente é que criou. Aí, em tom de cumplicidade ele falou: na verdade, na nossa agência o cliente exerce o papel de diretor de criação. Não aguentei. Me afastei e perguntei: se o seu diretor de criação não tem competência para gerenciar o processo criativo da sua agência porque raios seus clientes tem que pagar um diretor de criação? Sem resposta e sem graça, os dois colocaram o portfólio no saco e saíram o mais rápido possível.

Depois da reunião, fiquei me perguntando: porque empresas insistem em pagar agências que colocam a responsabilidade do processo criativo na mão dos clientes? Porque algumas agências insistem em trabalhar com clientes que não respeitam a sua capacidade criativa? Vale tudo por dinheiro? E onde fica o prazer de ver um trabalho bem feito? A diversão de saborear cada momento do processo de um trabalho de qualidade sendo moldado e produzido por uma equipe qualificada, que sabe o que esta fazendo? Alguém tem a resposta?

Aqui no Canadá tem uma cadeia de fast food -  White Spot – que tem como lema o seguinte: se você não está orgulhoso do que fez, não sirva. Acho que várias agências e clientes iriam se beneficiar tremendamente dessa filosofia.

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25

02 2010